Guarín falou com exclusividade ao Flashscore nesta terça (27), dia do duelo entre Colômbia e Suíça pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2026.
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Confira a entrevista na íntegra:
• O que mais te surpreendeu nesta seleção colombiana?
A verdade é que estou muito feliz porque Colômbia começou crescendo aos poucos e essa expectativa vem se confirmando. É importante ver a maturidade com que enfrentou cada partida, isso foi fundamental para conquistar bons resultados.
• Muitos dizem que é a melhor Colômbia desde 2014. Você concorda?
São diferentes. Apesar de ser uma comissão técnica que conhece muito bem aquela seleção de 2014, eles conseguiram complementar com jogadores novos e jovens que vêm fazendo um grande trabalho. É um grupo muito bem formado, que reforçou bem uma estrutura que já vinha sendo trabalhada. Fico feliz em ver que muitos dos erros que cometemos em 2014 hoje estão sendo corrigidos como grupo.
• O técnico Néstor Lorenzo montou um time muito competitivo. Qual você acha que foi seu maior mérito?
Sempre é importante destacar o trabalho coletivo, isso é fundamental além da parte tática. Fora de campo, para alcançar o desempenho que estão tendo, a relação treinador-jogador e saber gerir o grupo são essenciais. Dá para ver que existe uma boa harmonia, e a partir disso a informação chega melhor e o resultado aparece.
Luis Díaz e a experiência de James
• Quando você vê essa geração de jogadores, acha que eles têm tudo para brigar pelo título mundial? Como você sente isso como colombiano?
Esse é um sonho, tem que ser visto assim. É um desejo que desde 2014 começou a parecer possível e foi se fortalecendo com o tempo. Tudo na vida é um processo, não dá para pensar com triunfalismo nem ser egocêntrico por querer ganhar uma Copa. Vai se construindo passo a passo, com bases sólidas, e acredito que construímos bases muito fortes que vão nos levar a alcançar objetivos. Mas é preciso ver isso com humildade, com os pés no chão, mas com firmeza.
• James Rodríguez voltou a ser o líder da Colômbia. O que ele significa para o grupo?
James é nosso líder, tanto nacionalmente quanto mundialmente é nossa referência. Fez uma carreira impressionante, conheço ele desde muito jovem, desde quando começamos no Envigado. É um grande líder, mostrou isso com seu talento e força mental para estar no nível em que está hoje, e o grupo escuta sua liderança. Fico muito feliz que ele continue ali, liderando, e que os resultados estejam aparecendo para o bem da seleção.

• Você dividiu o vestiário com ele por muitos anos. Já dava para ver desde pequeno que ele seria uma estrela mundial?
Sim, sempre vi dessa forma, porque ele tinha o talento e complementava com vontade. É difícil encontrar um jogador talentoso com essa mentalidade. James sempre manteve sua força e espírito, disposto a ser um jogador de nível mundial e a se manter lá. Mentalmente e fisicamente, continua muito forte, pensando que precisa render em alto nível.
• Ele também era um líder dentro do vestiário, não só em campo?
No tempo em que estive com ele, James era um pouco mais introvertido. Ele liderava mais pelo exemplo do que falando, mostrando esse espírito competitivo. Esse é o seu maior tipo de liderança.
• Você acha que Luis Díaz está entre os melhores jogadores da história da Colômbia?
Ele está há relativamente pouco tempo, mas vem fazendo um trabalho extraordinário e está conquistando o respeito e o carinho dos colombianos e do mundo. Está marcando uma referência importante para as novas gerações com seu talento e dedicação. Como ex-jogador e torcedor da seleção, acho que ele merece estar entre os melhores. É um processo, e ele vai mostrar cada vez mais até chegar ao nível que merece.
• O que o ex-palmeirense Richard Ríos agrega ao time?
Richard já é um jogador experiente, e com essa experiência, nas vezes em que entrou, mostrou maturidade. Não é fácil, porque vinha sendo titular e nesta Copa não jogou tanto. Isso é o diferencial desse grupo, não importa se você não começou jogando, quando entra tem que contribuir para o grupo mais do que para si mesmo.
• Duas perguntas sobre a Copa de 2014. Vocês realmente acreditavam que podiam chegar tão longe?
Aí sim posso te dizer que está acontecendo algo muito parecido agora. Começamos com poucas expectativas, e isso eu adoro, porque expectativas geram pressão e ansiedade. Quando ninguém acredita e você começa crescendo aos poucos, foi o que aconteceu em 2014. Começamos a fase de grupos pensando só em classificar bem, e daí em diante foi jogo a jogo. Nunca pensamos que chegaríamos tão longe, mas em algum momento começamos a acreditar que podíamos passar de fase, e assim fomos seguindo. Isso a gente tinha muito claro, que podíamos competir em alto nível com qualquer seleção.
• A lesão de Falcao foi um baque muito grande?
Falcao vinha de uma grande eliminatória e do que fazia nos clubes europeus. Colômbia e o mundo tinham a chance de ver o Falcao em uma Copa no seu melhor momento. Foi uma perda principalmente emocional. Depois havia outros jogadores que podiam fazer um bom trabalho, mas sim, nos abalou um pouco emocionalmente.
• Ainda dói a eliminação para o Brasil nas quartas de final em 2014?
Sim, claro, principalmente pela forma como aconteceu. Isso marca mais, quando você perde sabendo que deu tudo, tudo bem. Mas foi a forma, talvez se o VAR tivesse nos ajudado naquela época, teria sido diferente.
Hulk é uma exceção no futebol
• Você dividiu o vestiário com grandes jogadores. Quem mais te impressionou pela qualidade?
É difícil escolher um só, foram muitos companheiros muito talentosos. Sempre uso como referência o Falcao e o Hulk, naquele Porto.
• Hulk era tão imparável nos treinos quanto nos jogos?
Nos treinos ele era ainda mais forte. O que o Hulk fazia em jogo, no treino era ainda mais impressionante. E continua sendo assim, jogando agora no Fluminense aos 40 anos. Passou pelo Atlético Mineiro, levou o time a uma final de copa continental, manteve o time entre os primeiros por dois anos, e agora foi contratado por um dos maiores clubes do Brasil. Hulk é uma exceção no futebol, é impressionante.
